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  • por Rodrigo Enge
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Wilt Chamberlain: os problemas e as vantagens de ser muito alto

Um jovem Wilt Chamberlain segura duas bolas de basquete apenas com o polegar e o dedo médio (Imagem: Explore PA History)

Um jovem Wilt Chamberlain segura duas bolas de basquete apenas com o polegar e o dedo médio (Imagem: Explore PA History)

No final de 1991, Wilt Chamberlain lançou o livro A View From Above, no qual abordou vários assuntos, como sua carreira na NBA, questões raciais e seu relacionamento com as mulheres. Alguns meses mais tarde, para promover o livro, Chamberlain concedeu uma entrevista à repórter Ann Liguori, que foi ao ar no programa Sports Innerview with Ann Liguori.

O pessoal do ótimo site Blank on Blank pinçou um pedaço da entrevista e criou uma animação, que você pode assistir no final desta matéria. Neste trecho, Chamberlain fala sobre os problemas que enfrentou na adolescência por causa da altura e como ser diferente o ajudou a ter sucesso com o sexo oposto (ele alegava ter feito sexo com cerca de 20 mil mulheres).




Trecho da entrevista de Wilt Chamberlain a Ann Liguori

[Chamberlain] Eu gostava de desafiar caras menores, que deveriam ser mais rápidos do que eu. Acho que estava preocupado em provar para as outras pessoas que não era somente a altura que me fazia ter sucesso em vários esportes. Eram outras qualidades intrínsecas que me tornavam um bom atleta.

[Liguori] Você teve uma boa infância. Uma infância bastante estável, o que é importante.

[Chamberlain] Sim, a única coisa ruim foi já ter esta altura aos 14 anos de idade.

[Liguori] 2,16 metros?

[Chamberlain] Sim, e você pode imaginar como era ser um menino negro, aos 14 anos, vivendo nos EUA, naquela época, com essa altura? As pessoas me viam como uma aberração. Hoje, quando você vê alguém com uma altura similar à minha pensa em “esportes”, “basquete”, “cifrões”. E não pensa em “atração de circo” ou “que doença ele tem?”. O mais difícil para mim foi crescer sendo encarado, observado e tratado deste jeito. Fora isso, foi uma boa infância.

[Liguori] Você ficou complexado por causa disso? Sentiu-se inseguro por ser tão alto?

[Chamberlain] Inseguro não, mas de certa forma eu queria me “esconder” um pouco. Não queria atrair tanta atenção. Se eu estava no ônibus eu sempre sentava. Fui ensinado a dar o lugar para mulheres e senhoras, mas nunca fiz isso. Eu sempre ficava sentado. Se eu me levantasse minha cabeça praticamente bateria no teto e as pessoas ficariam olhando.

Eu sempre fui tratado como vilão em todos os lugares por ser mais alto e forte que as outras pessoas. E é difícil ter uma relação próxima com alguém que você considera cruel e insensível. Além disso, quando se é tão alto como eu, ninguém imagina que você também tem sensibilidade.

Eles falam sobre todas as coisas que você consegue fazer, mas nunca sobre como você é gentil e sensível. E nós somos. Cachorros grandes tendem a ser muito mais cuidadosos e gentis com crianças do que um pequeno que está sempre ganindo. Não sei de onde as pessoas tiram que se você é grande necessariamente também é hostil.

[Liguori] Você mencionou esse assunto da sensibilidade no livro quando abordou o sexo, como era gratificante notar que uma mulher o considerava sensual e sensível, e como algumas pessoas ficavam surpresas ao descobrir que você era assim.

[Chamberlain] Bom, vamos falar um pouco sobre isso. Sabe, queremos ser tratados como todo mundo, mas por outro lado: vive la différence.

Eu acho que as mulheres se sentiam atraídas por mim pelo fato de eu ser diferente. Claro que quando alguém é famoso, tem um pouco mais de dinheiro do que as outras pessoas  e está envolvido em algo como esporte profissional exerce atração. Mas acho que muitas mulheres me achavam atraente por eu ser diferente. E, de certa maneira, eu tirei proveito disso.

Acho que conforme conforme Wilt Chamberlain foi ficando mais velho, também foi se tornando mais seguro. E apesar de hoje eu conseguir fazer menos coisas, sinto-me mais seguro.

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