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  • Informação de bandeja sobre a NBA
  • por Rodrigo Enge
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Puxar a cadeira, a arte de usar a força do adversário contra ele mesmo

Saber puxar a cadeira na hora certa é uma arte

Saber puxar a cadeira na hora certa é uma arte

O duelo travado entre dois gigantes no garrafão é rico em detalhes. A briga pela conquista de espaço vai além da força física, posicionamento adequado, agilidade e técnica. Às vezes também inclui métodos menos ortodoxos que requerem uma pequena dose de malandragem, mas não têm nada de irregular. É o caso da manobra que os norte-americanos chamam de pull the chair, expressão que pode ser traduzida sem nenhum prejuízo para o português como puxar a cadeira.

O contexto

Alas-pivôs e pivôs, jogadores de maior porte físico que ocupam as posições 4 e 5, costumam receber a bola de costas para a cesta no “poste baixo”, a parte do garrafão mais próxima do fundo da quadra. A partir daí geralmente desenvolvem um embate físico com o seu defensor, que tem a missão de dificultar ao máximo sua aproximação da cesta.

Hakeem Olajuwon, dono do melhor trabalho de pernas que a NBA já viu, usava muito mais a técnica do que a força para ganhar espaço e conseguir finalizar próximo à cesta. Já jogadores como Wilt Chamberlain, Patrick Ewing e Shaquille O’Neal abusavam do porte físico para avançar, projetando seu corpo contra o marcador, que tentava a todo custo manter a posição defensiva.

Puxar a cadeira

Quando o jogador que está no ataque investe contra o defensor espera encontrar resistência. Afinal, todo aquele embate não passa de uma luta por espaço. Portanto, quando quem está no ataque se movimenta, emprega uma dose de força extra, pois conta com a presença do defensor para impedir o seu avanço. E é aí que a estratégia de “puxar a cadeira” se torna útil, quando bem executada.

Prevendo exatamente o instante em que o jogador que está atacando se movimentará, o defensor se afasta para trás ou lateralmente. O paredão que há um segundo estava presente deixa de existir. Mas o atacante, que jogando de costas para o marcador não se deu conta disso, investe com a mesma dose de força empregada anteriormente. Resultado: quedas, andadas e posse de bola para o time do defensor.

Portanto, sem um ótimo timing é praticamente impossível ter sucesso no pull the chair. Alguns jogadores se notabilizaram na sua execução, como Rick Mahorn (1980 a 1999) e Karl Malone (1985 a 2004), mas a estratégia ainda é utilizada com sucesso até hoje, e não somente por grandões. Veja alguns exemplos no vídeo abaixo.

Nos últimos anos, a tendência de se espalhar os jogadores pela quadra no intuito de criar espaços tem diminuído um pouco a quantidade de duelos “corpo-a-corpo”. Alas-pivôs e pivôs capazes de arremessar de média e longa distância (stretch four e stretch five) têm sido mais valorizados e a briga por espaço dentro do garrafão anda menos intensa do que foi no século XX. Mas, independentemente disso, saber puxar uma cadeira sempre será um recurso útil no basquete.

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