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  • por Rodrigo Enge
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Draft da NBA: definição, evolução e regras atuais

O draft é um evento realizado anualmente pela NBA que tem por objetivo selecionar novos jogadores para as franquias da liga. Ele segue regras muito específicas para garantir que o equilíbrio técnico entre as equipes seja mantido, impedindo que os times mais bem-sucedidos selecionem os melhores candidatos. O princípio básico que rege o conceito do draft é de que as franquias com piores campanhas na temporada regular devem ter prioridade na seleção dos calouros.

Draft da NBA

O primeiro draft da NBA

O primeiro draft foi realizado em 1947, após o encerramento da temporada inaugural da BAA (Basketball Association of America), liga que viria a se tornar a NBA em 1949. As equipes tinham prioridade de seleção dos calouros respeitando exatamente a ordem inversa de classificação na temporada regular. Assim, o último colocado fazia a 1ª escolha, o penúltimo fazia a 2ª escolha, o antepenúltimo a 3ª e assim por diante.

Para exemplificar, vejamos o que ocorreu neste primeiro draft. O Pittsburgh Ironmen havia feito a prior campanha na temporada 1946-47 e por este motivo lhe coube a primeira escolha (pick em inglês). Com ela o Ironmen selecionou Clifton McNeely, aos 28 anos de idade, que preferiu não se tornar jogador profissional para seguir a carreira de técnico. Detroit Falcons e Cleveland Rebels encerraram suas atividades antes da realização do draft, razão pela qual não selecionaram nenhum jogador. O próprio Ironmen também fechou as portas antes do início da temporada 1947-48. Em contrapartida, a BAA ganhou uma nova franquia naquele ano, o Baltimore Bullets, que teve direito a fazer a última seleção.

FranquiaCampanha (V/D %)EscolhaJogador
Pittsburgh Ironmen25Clifton McNeeley
Detroit Falcons33,3----
Toronto Huskies36,7Glen Selbo
Boston Celtics36,7Bulbs Ehlers
Providence Steam Rollers46,7Walt Dropo
Cleveland Rebels50----
New York Knicks55Dick Holub
Philadelphia Warriors58,3Chink Crossin
St. Louis Bombers62,3Jack Underman
Chicago Stags63,9Paul Huston
Washington Capitols81,7Dick O'Keefe
Baltimore Bullets--10ªLarry Killick

Escolhas territoriais (de 1949 a 1965)

Em 1949, a BAA precisava desesperadamente ganhar popularidade e encher os ginásios com torcedores, já que a venda de ingressos era praticamente a única fonte de receita da liga. Pensando nisso, foram criadas as territorial picks, escolhas territoriais que davam direito às franquias selecionarem jogadores de universidades localizadas num raio de aproximadamente 80 km de sua sede.




A ideia era que ter jogadores conhecidos do público local atrairia mais torcedores às partidas e, consequentemente, aumentaria o faturamento da liga. As territorial picks eram exercidas antes do draft, que continuava ocorrendo normalmente. Assim, se surgisse um bom jogador em alguma universidade localizada na região da franquia, esta teria prioridade na sua contratação.

Entre 1949 e 1965, quando as territorial picks foram extintas, 23 jogadores foram contratados nesta modalidade de seleção dos quais 11 acabaram se tornando integrantes do Hall da Fama, entre eles Paul Arizin, Tom Heinsohn, Wilt Chamberlain, Oscar Robertson, Dave DeBusschere, Jerry Lucas e Gail Goodrich.

Cara ou coroa (de 1966 a 1984)

A partir de 1966, já sem as escolhas territoriais, a NBA instituiu uma nova regra: as equipes com piores campanhas nas divisões Leste e Oeste (as conferências ainda não haviam sido criadas) disputavam no cara ou coroa quem ficaria com a 1ª escolha no draft. A franquia perdedora ficava automaticamente com a 2ª escolha e a partir daí seguia-se a ordem das piores campanhas remanescentes para as melhores.

Neste sistema, portanto, a pior equipe de uma divisão/conferência tinha a certeza absoluta de que, na pior das hipóteses, ficaria com a 2ª escolha no draft.

Pelo menos três disputas no cara ou coroa merecem ser mencionadas.

  • A mais famosas de todos os tempos ocorreu em 1969, travada entre Milwaukee Bucks, dono da pior campanha da Divisão Leste (27-55), e Phoenix Suns, time de pior campanha na Divisão Oeste (16-66). O “prêmio” para quem ganhasse aquele cara ou coroa era ninguém menos do que Lew Alcindor, astro de UCLA, futura lenda da NBA que adotou o nome Kareem Abdul-Jabbar em 1971. O Bucks ganhou o cara ou coroa e ficou com Lew Alcindor, jogador que foi fundamental para a conquista do único título na história da franquia. Já o Suns, que pela regra anterior teria ficado com Alcindor sem precisar depender da sorte, draftou Neal Walk com a 2ª escolha e até hoje persegue seu primeiro título na NBA.
  • Outra disputa no cara ou coroa que mudou os destinos da NBA ocorreu em 1979. O Chicago Bulls representava o Leste com a pior campanha (31-51) na disputa do cara ou coroa, enquanto o Los Angeles Lakers representava o Oeste porque havia adquirido a escolha do New Orleans Jazz (atual Utah Jazz), dono da pior campanha naquela conferência (26-56). O Lakers venceu o cara o coroa e selecionou Magic Johnson, que viria a conquistar 5 títulos pela franquia californiana, enquanto o Bulls ficou com o ala-pivô Dave Greenwood. A torcida de Chicago certamente se decepcionou com o desfecho deste draft, mas os deuses do basquete tinham planos para recompensá-los num futuro não muito distante.
  • A última vez que a sorte decidiu quem seria o dono da 1ª escolha no draft foi em 1984, provavelmente a melhor safra na história da liga. O Houston Rockets (29-53) fez tudo o que estava ao seu alcance para perder o máximo de partidas e conseguiu ficar em último lugar no Oeste com apenas uma derrota a mais do que o San Diego Clippers (30-52). Do outro lado estava o Portland Trail Blazers utilizando a escolha que havia adquirido do Indiana Pacers, time de pior campanha no Leste (26-56). O Rockets venceu o cara ou coroa e selecionou Hakeem Olajuwon, membro do Hall da Fama e bicampeão pela franquia texana em 1993 e 1994. Já o Blazers escolheu o pivô Sam Bowie, que se tornou um jogador mediano, deixando passar outros dois futuros membros do Hall da Fama: Michael Jordan (3º) e Charles Barkley (5º).

Sorteio de envelopes (de 1985 a 1989)

Após o Draft 1984 as críticas que já eram feitas ao sistema de atribuição das escolhas cresceram ainda mais. Isto porque ficou evidente que o Rockets perdeu deliberadamente vários jogos da temporada 1983-84 para garantir uma posição privilegiada em um draft com ótimos candidatos. Os texanos já haviam feito a mesma coisa na temporada anterior, quando também ficaram com a 1ª escolha, utilizada para selecionar o pivô Ralph Sampson.

Mas o Rockets não foi o primeiro e nem o último time a adotar esta prática, chamada de tank. Ela não é oficialmente proibida pela NBA, até mesmo porque é muito difícil provar a sua ocorrência, mas após ser explorada duas vezes consecutivas pela mesma franquia a liga entendeu era necessário inibi-la de alguma maneira, caso contrário haveria grande perda de credibilidade e, consequentemente, de receita.

Pensando nisso, em 1985 a NBA promoveu uma grande reformulação no sistema de atribuição das escolhas do draft. Um sorteio entre as franquias não classificadas para os playoffs passou a definir a ordem de escolha no draft. Assim, fazer a pior campanha não trazia nenhuma vantagem, já que todas as equipes participantes do sorteio tinham a mesma chance de ficar com a 1ª escolha.




O sorteio consistia em colocar o logo das franquias dentro de envelopes sem qualquer identificação que eram misturados em um globo e depois sorteados. O primeiro a ser retirado ficava com a 1ª escolha e assim sucessivamente. As equipes disputando os playoffs seguiam a ordem inversa de classificação na temporada regular, como ocorre até hoje. A NBA aproveitou para fazer uma grande jogada de marketing, pagando uma pequena fortuna na época (US$ 40 mil) para ter o evento transmitido ao vivo pela TV para todo o país.

Mas o novo sistema já gerou polêmica logo em 1985. A liga contava com 23 franquias e, portanto, 7 ficaram fora da pós-temporada e participaram do sorteio. O pivô Patrick Ewing era a grande sensação desta edição do draft, cobiçado por todas as franquias. O comissário da NBA, David Stern, ficou encarregado de retirar os envelopes do globo e pegou o que continha o logo do New York Knicks, time que havia registrado a 3ª pior campanha em 1984-85.

Como a sede da NBA é em Nova Iorque, o Knicks é uma das franquias fundadoras da liga, dona de uma das torcidas mais fanáticas, localizada no maior mercado consumidor dos EUA e já estava na fila há mais de uma década, foi criada a teoria da conspiração de que Stern sabia exatamente qual era o envelope da franquia de Manhattan e “deu” Patrick Ewing de presente aos nova-iorquinos.

David Stern, comissário da NBA, fez pessoalmente o sorteio do envelope que levou Patrick Ewing ao Knicks em 1985

David Stern, comissário da NBA, fez pessoalmente o sorteio do envelope que levou Patrick Ewing ao Knicks em 1985. Na imagem de baixo vemos Stern, Ewing e Dave DeBusschere, ex-jogador do Knicks e executivo da franquia que a representou no sorteio.

Não é possível saber se a teoria tem fundamento, mas evidentemente o sistema estava longe de ser imune a fraudes. Um determinado envelope poderia ser resfriado previamente, por exemplo, para que a pessoa encarregada do sorteio pudesse diferenciá-lo. Uma pequena dobra na ponta do envelope ou qualquer marca na sua parte externa também poderia guiar alguém mal-intencionado, já que o globo era transparente. E se não fosse transparente daria margem a outras trapaças.

Em 1987 foi feito um ajuste no sistema: o sorteio dos envelopes passou a ser utilizado somente para determinar a ordem das três primeiras escolhas; todas as demais passaram a seguir a ordem inversa da classificação na temporada regular. Assim, a realização de uma má campanha voltou a trazer benefícios para a franquia que aderisse ao tank, pois quem perdesse mais jogos na temporada regular já garantia pelo menos a 3ª escolha.

Loteria ponderada (desde 1990)

Em 1990 a NBA criou um sistema que privilegiava os times com piores campanhas, mas ao mesmo tempo não lhes dava garantias absolutas de que receberiam as primeiras escolhas. Com isso o equilíbrio técnico entre as franquias era preservado sem que a prática do tank fosse tão estimulada.

66 bolas de pingue-pongue

No primeiro ano em que o sistema da loteria ponderada foi utilizado a NBA contava com 27 franquias, logo 11 participaram do sorteio, feito com 66 bolas de pingue-pongue em um globo. A franquia de pior campanha recebia 11 bolas e a de melhor apenas uma, conforme imagem abaixo. Apenas a ordem das três primeiras escolhas era definida pelo sorteio, sendo utilizada a campanha como critério para determinar a ordem das demais franquias.

66 bolas de pingue-pongue eram atribuídas às franquias participantes da loteria de acordo com a campanha realizada na temporada regular

66 bolas de pingue-pongue eram atribuídas às franquias participantes da loteria de acordo com a campanha realizada na temporada regular

Mas a vida real acabou dando um nó nas probabilidades em 1993 e forçando a NBA a fazer uma alteração no sistema de loteria. No Draft 1992 o Orlando Magic, que tinha realizado a 2ª pior campanha, foi para o sorteio com 10 das 66 bolas (15,15%), ficou com a 1ª escolha e selecionou Shaquille O’Neal. Na temporada seguinte, o Magic ficou empatado com o Indiana Pacers na temporada regular, ambos com uma campanha de 41 vitórias e 41 derrotas, mas foi a franquia de Indianápolis que ficou com a última vaga para os playoffs na Conferência Leste. Fora da pós-temporada, o Magic entrou na loteria no Draft 1993 com apenas uma das 66 bolas e mesmo assim ficou com a 1ª escolha (Chris Webber).

14 bolas de pingue-pongue, 1000 combinações

Ficou provado pela prática, portanto, que os times com piores campanhas precisavam ser contemplados com mais chances de receber as primeiras escolhas. Para isso, a partir de 1994 a NBA tornou o sistema de loteria ponderada ainda mais sofisticado e complexo. Veja abaixo o conjunto de regras que passou a determinar a ordem do sorteio no draft, válidas até os dias de hoje:

  • 14 bolas de pingue-pongue numeradas de 1 a 14 são colocadas em um globo;
  • 4 bolas são sorteadas (ex: 3-5-8-13);
  • cada conjunto de 4 números é previamente atribuído a determinadas franquias, de modo que quando o sorteio dos quatro números é realizado já se sabe a quem pertence a escolha; a ordem dos números sorteados de cada conjunto é indiferente para a atribuição da escolha (ex: 3-5-8-13 = 8-3-13-5);
  • ao todo, há 1001 combinações possíveis, mas uma delas (11-12-13-14) é descartada caso seja sorteada, restando 1000 combinações válidas;
  • ao time de pior campanha são atribuídas 250 combinações (25% de chances de ficar com a 1ª escolha) e ao time de melhor campanha são atribuídas somente 5 (0,5% de chances de ficar com a 1ª escolha);
  • as outras 12 franquias recebem o número de combinações inversamente proporcional ao de suas campanhas, de acordo com a tabela abaixo;
  • após o sorteio da primeira combinação de 4 números e a definição da franquia que terá a 1ª escolha, as 4 bolas são recolocadas no globo e realizados dois novos sorteios de outros conjuntos de 4 números para definição da 2ª e 3ª escolha;
  • se for sorteada uma combinação pertencente a uma franquia já sorteada, as bolas são recolocadas no globo e é feito novo sorteio;
  • quando a titularidade das três primeiras escolhas estiver definida pelo sorteio, a ordem das demais escolhas é definida pela campanha de cada franquia na temporada regular.
Probabilidades atribuídas a cada franquia participante do sorteio do draft

Probabilidades atribuídas a cada franquia participante do sorteio do draft

Neste cenário, todas as franquias têm chances de ficar com a 1ª escolha no draft, mas o sistema garante probabilidades sensivelmente maiores de que ela acabe nas mãos de uma que fez má campanha na temporada regular. Também garante que o dono de pior campanha fique, na pior das hipóteses, com a 4ª escolha.

Note, porém, que as probabilidades indicadas nesta tabela sofrem alterações quando duas ou mais franquias registram campanhas idênticas na temporada regular. Neste caso, o total de combinações que caberia às franquias empatadas é dividido igualmente entre as mesmas. Na hipótese da divisão não resultar em um número inteiro, o cara ou coroa é utilizado para definir qual franquia ficará com uma combinação a mais.

Utilizemos o draft de 2012 como exemplo. Na temporada 2011-12 houve nada menos do que 7 empates. Na tabela abaixo todas as 30 franquias estão dispostas na ordem da pior campanha (Charlotte: 7 vitórias e 59 derrotas) para a melhor (San Antonio e Chicago: 50 vitórias e 16 derrotas). Cada uma das 14 franquias que participaram do sorteio tinha um determinado número de combinações preestabelecidas, conforme a tabela acima, exceto as que fizeram campanhas idênticas. Nestes casos o foi necessário utilizar o cara ou coroa no desempate.

Cenário antes dos sorteios que definiram as combinações atribuídas a cada franquia participante do sorteio do Draft 2012 e a ordem de escolha das demais franquias com campanhas idênticas

Cenário antes dos sorteios que definiram as combinações atribuídas a cada franquia participante do sorteio do Draft 2012 e a ordem de escolha das demais franquias com campanhas idênticas

Para determinar exatamente quantas combinações caberiam a cada franquia empatada a sorte precisou entrar em ação. Veja como foi realizado o desempate entre Cleveland Cavaliers e New Orleans Hornets, por exemplo:

  • o total de combinações que cabiam a ambas as franquias era 275 (156 + 119);
  • como 275 dividido por 2 não resulta em um número inteiro (137,5), foi decidido no cara ou coroa qual das franquias ficaria com uma combinação a mais;
  • Cleveland venceu o cara ou coroa e ficou com 138 combinações, enquanto New Orleans ficou com 137.

O mesmo procedimento foi realizado para definir quantas combinações caberiam a New Jersey, Sacramento, Toronto e Golden State.

Também houve empates entre franquias que não participaram do sorteio do draft, pois disputaram os Playoffs 2012. Nestes casos o cara ou coroa tem papel muito mais importante, já que em vez de apenas atribuir uma combinação a mais para determinada franquia, define a própria ordem de escolha no draft.

Confira abaixo como ficaram distribuídas as combinações das franquias que participaram do sorteio e a ordem de escolha no Draft 2012 das franquias que disputaram os playoffs naquele ano após todos os desempates.

Distribuição de combinações e ordem no Draft 2012 após desempates

Distribuição de combinações e ordem no Draft 2012 após desempates

No sorteio do Draft 2012, o New Orleans Hornets, que tinha menos combinações do que Cavs, Wizards e Bobcats, acabou sendo contemplado com a 1ª escolha, utilizada para contratar Anthony Davis. Daí em diante não houve mais surpresas e as probabilidades prevaleceram.

Uma curiosidade: desde quando este sistema foi adotado, somente no sorteio do Draft de 2016 as probabilidades foram integralmente respeitadas, sem que nenhuma franquia “subisse” na ordem de escolhas.

Ordem da 2ª rodada

Na 2ª rodada do draft a ordem observada é da pior campanha para a melhor, independentemente do sorteio realizado para definir a ordem das 14 primeiras escolhas da 1ª rodada. Franquias que fizeram campanhas idênticas selecionam na ordem inversa da determinada pelo desempate no cara ou coroa.

No caso de empate entre mais de duas franquias, como ocorreu com New York, Dallas e Utah em 2012, cada uma sobe uma posição na 2ª rodada e a que estava na primeira cai para a última (no caso, New York).

Confira abaixo a ordem final do Draft 2012 após os desempates e o sorteio das combinações.

Ordem final do Draft 2012 após todos os desempates e o sorteio das combinações

Ordem final do Draft 2012 após todos os desempates e o sorteio das combinações

10 momentos memoráveis do draft

Escolhas no draft são moedas de troca

Pela tabela acima conclui-se que o New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets) fez a 6ª escolha no Draft 2012. Mas isso não ocorreu, já o Nets envolveu esta escolha em uma troca com o Portland Trail Blazers para contratar Gerald Wallace. Assim a 6ª escolha no Draft 2012 foi exercida pelo Blazers, que a utilizou excepcionalmente bem, selecionando Damian Lillard.

Esta prática de incluir escolhas em drafts futuros na negociação de jogadores é extremamente comum na NBA. Ressalte-se que todos os critérios utilizados no processo do draft consideram a campanha da franquia originalmente detentora da escolha, mesmo que ela tenha sido negociada.

Uma mesma franquia pode, portanto, ter várias escolhas numa edição do draft, enquanto outras podem ficar sem nenhuma por já as terem negociado anteriormente. No Draft 2016, por exemplo, Heat, Blazers, Knicks, Wizards, Cavs e Thunder não terão nenhuma escolha, enquanto o Celtics terá 8.

E nada impede que momentos antes da cerimônia do draft uma franquia negocie uma ou mais escolhas daquele processo de seleção ou de edições futuras com outra franquia. Também é possível que uma franquia prefira não exercer o direito de escolha recebido numa troca e o passe adiante, envolvendo-o em outra negociação.

Picks protegidas

Quando uma escolha em draft futuro é incluída em alguma troca a franquia cedente pode estabelecer condições para o seu exercício. Mais uma vez, nada melhor do que um exemplo. Em 2015, o Dallas Mavericks cedeu ao Milwaukee Bucks sua escolha na 2ª rodada do Draft 2018 para ter o pivô Zaza Pachulia.

Porém, o Mavs estabeleceu uma condição para que o Bucks possa exercer esta escolha: ela somente poderá ser desfrutada pela franquia de Wisconsin se o Mavs fizer uma das 5 melhores campanhas da NBA na temporada 2017-18. Ou seja, a condição imposta pelo Mavs na negociação protege sua escolha de ser exercida pelo Bucks se a escolha for qualquer uma entre a 31ª e 55ª. Neste caso a franquia texana poderá mantê-la e o Milwaukee Bucks não receberá nada em troca por ter cedido Pachulia.

É possível também estabelecer diferentes limitações para o exercício das escolhas cedidas variando de ano a ano. Por exemplo: proteção para as 10 primeiras escolha no primeiro ano, proteção para as 5 primeiras escolhas no segundo ano e para as 3 primeiras no terceiro, por exemplo.




Idade para participar do draft

As regras para que um jogador possa participar do draft da NBA variaram muito ao longo dos anos. Inicialmente era necessário que tivessem se passado no mínimo 4 anos da conclusão do ensino médio (colegial / high school) para que o candidato estivesse habilitado para o draft. Com isso, a maioria esmagadora dos jogadores só ingressavam na NBA depois de terem completado 21 anos e de terem atuado por alguma universidade.

Esta regra caiu em 1971 após a Suprema Corte norte-americana julgar favoravelmente uma ação proposta contra a NBA por Spencer Haywood, que foi autorizado a ingressar na liga 3 anos após a conclusão do ensino médio. A NBA passou a abrir exceções em casos de atletas que estivessem em dificuldade financeira, o que, na verdade, era a regra e não a exceção.

A partir de então, a porta foi aberta para que jogadores saíssem do ensino médio e fossem direto para a NBA, embora esta prática continue sendo rara até hoje. Alguns casos notórios: Darryl Dawkins (1975 • 18 anos), Kevin Garnett (1995 • 19 anos), Kobe Bryant (1996 • 17 anos) e LeBron James (2003 • 18 anos).

A NBA não via com bons olhos o ingresso de adolescentes na liga e o assédio de agentes e olheiros sobre as crianças nos colégios. Por conta disso, e também dos fortes laços que mantém com a NCAA (liga nacional universitária), a NBA negociou em 2006 um acordo com o sindicato de jogadores estabelecendo as regras que estão em vigor até hoje:

  • O jogador precisa completar 19 anos, no mínimo, no mesmo ano em que for selecionado no draft. Assim, um jogador que faz 19 anos em 31 de dezembro de 2016 pode ser selecionado no Draft 2016, ao contrário de quem completa 19 anos em 1º de janeiro de 2017.
  • Todos os jogadores que não são considerados internacionais (ver abaixo) precisam ter se formado no ensino médio há pelo menos um ano para poderem participar do draft.

Os pré-requisitos são cumulativos, ou seja, ambos devem ser respeitados. O jogador que se enquadra nestas condições precisa se candidatar ao draft com uma antecedência mínima de 60 dias para participar do processo de seleção. Durante este prazo a NBA verifica se ele realmente atende aos pré-requisitos e o jogador fica disponível para participar de testes e exames organizados pelas franquias da liga.

Estão automaticamente habilitados para participar do draft os jogadores que:

  • cursaram a universidade por 4 anos;
  • não cursaram a universidade, mas já se formaram no ensino médio há mais de 4 anos; ou
  • atuaram profissionalmente em qualquer equipe de basquete

Jogadores internacionais

É considerado jogador internacional aquele que preencher todos os seguintes requisitos:

  • nunca ter cursado uma instituição de ensino superior norte-americana;
  • não ter concluído o ensino médio nos EUA; e
  • ter residido fora dos EUA nos últimos 3 anos anteriores ao draft

Jogadores internacionais estão automaticamente habilitados para participar do draft se:

  • completarem no mínimo 22 anos de idade no ano do processo de seleção ou
  • tiverem atuado profissionalmente em um time de basquete norte-americano fora da NBA
Com dados obtidos no site Basketball Reference.
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