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  • Informação de bandeja sobre a NBA
  • por Rodrigo Enge
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O que é isolation (ou iso-ball) e por que sua utilização é limitada?

Kobe Bryant foi um dos jogadores que mais fez uso do isolation ao longo de sua carreira

Kobe Bryant foi um dos jogadores que mais fez uso do isolation ao longo de sua carreira

Fazer a cesta obviamente é o principal objetivo no basquete. Mas há várias maneiras diferentes de se alcançar este objetivo. Pegar o adversário desprevenido com um contra-ataque rápido, movimentar a bola até algum jogador ter espaço suficiente para fazer um arremesso sem marcação ou simplesmente aproveitar uma cochilada da defesa são apenas algumas delas. O isolation, que poderia ser traduzido como “isolamento” em português e também é chamado de iso-ball, nada mais é do que uma das várias estratégias ofensivas para se chegar à cesta.




Isolation, o um contra um forçado

A utilização do isolation geralmente só é eficiente quando o time possui em seu elenco um jogador com qualidade técnica elevada, acima da média. Isto porque a estratégia consiste em entregar a bola para este jogador e afastar todos os outros quatro para longe dele, de preferência na outra metade da quadra de ataque.

Assim, o craque da equipe terá espaço de sobra para superar o seu marcador e chegar à cesta infiltrando ou arremesando. Substitui-se, portanto, o jogo cinco contra cinco pelo um contra um com a grande vantagem de que este “um” do time no ataque é tecnicamente melhor do que o seu marcador.

Quando a isolation é bem feita o jogador fica com pelo menos meia quadra livre para usar sua habilidade contra o marcador

Quando o isolation é bem feito o jogador(2)  fica com pelo menos meia quadra livre para usar sua habilidade contra o marcador

Exemplos de isolation

Kobe Bryant foi um dos jogadores que mais fez uso do isolation ao longo de sua carreira. Quando a situação estava complicada para o Los Angeles Lakers invariavelmente a bola caia em sua mãos e todo mundo saía de perto.

Após um corta-luz, Kevin Durant ficou sendo marcado por C.J. McCollum. Todos os outros jogadores do Golden State Warriors se posicionaram do outro lado da quadra, deixando o craque sozinho contra um jogador de 1,93m.

Muitas vezes o isolation é realizado com os outros jogadores do time que ataca se posicionando nas laterais para abrir todo o garrafão, como na imagem abaixo.

Neste exemplo de isolation é o armador quem fica com a responsabilidade de decidir o ataque

Neste exemplo de isolation é o armador quem fica com a responsabilidade de decidir o ataque

E se qualquer adversário decidir abandonar o seu jogador para dobrar a marcação sobre o que está em isolation criará a possibilidade de uma assistência.

Foi exatamente isso o que aconteceu no final do jogo 7 das finais da Conferência Oeste entre Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers, disputada em 2000. Quando a marcação foi dobrada (ou triplicada) em Kobe Bryant, o craque fez uma ponte-aérea para Shaquille O’Neal numa jogada que decretou vitória da franquia californiana.

Então, por que não usar sempre o isolation?

Quem conseguia parar Wilt Chamberlain? Com uma batida de bola e um passo o pivô soltava bola literalmente dentro da cesta. E hoje em dia, quem segura LeBron James no um contra um? Ninguém. Com a técnica e o porte físico que o ala possui pode bater para dentro do garrafão em todas as posses de bola, sempre com enormes chances de pontuar ou ir para a linha de lance livre.

Se é assim, por que tanto Chamberlain quanto LeBron só conseguiram conquistar seus primeiros títulos da NBA após muitas temporadas? Chega de interrogações, vamos às respostas.

Em primeiro lugar, por mais privilegiado fisicamente que alguém seja, o calendário brutal da NBA fala mais alto. São 82 partidas com diversos jogos em noites consecutivas intercalados por longas viagens. Sobrecarregar o seu melhor jogador obviamente não é a coisa mais inteligente a se fazer, sob o risco de acontecer uma contusão e o time ficar desfalcado justamente do seu principal atleta.

Em segundo lugar, por uma razão muito simples: o basquete é um esporte coletivo por excelência em que o conjunto quase sempre prevalece sobre o talento individual. Esta é uma realidade contra a qual não adianta brigar.

E por último, but not at least, como dizem os gringos, porque desde quando a tecnologia passou a fornecer informações extremamente precisas sobre tudo o que acontece dentro da quadra, concluiu-se que o isolation é menos eficiente do que uma série de outras jogadas, como o manjado pick and roll, um simples corta-luz, a transição ofensiva e até mesmo o post-up.

Um contra um não é isolation!

Muitos usam o termo isolation de maneira inapropriada. A marcação individual é a regra na NBA. Ou seja, na maior parte do tempo, em todas as partidas, cada um dos 5 jogadores de um time está sendo marcado por um jogador.

Portanto, ao contrário do que muita gente diz, não basta o jogador que tem a bola em mãos superar o seu marcador para estarmos diante de um caso de isolation. Apesar de existir o protagonismo de um único jogador nesse tipo de jogada, trata-se de uma estratégia coletiva, que requer a participação de todos os outros companheiros de equipe, mesmo que eles fiquem apenas assistindo.

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